quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

James Bantu



James Bantu – por Salloma Salomão
Representa aquele ponto de mutação da linguagem musical do Movimento Hip Hop no Brasil. Ponto de mutação no qual as referências estadunidense do REP foram suplantadas pelos elementos da cultura musical negra brasileira. Quer dizer, Tim Maia, Benjor, Cassiano, que até início dos anos 2000 eram tratados como pano de fundo das trilhas do REP brasileiro. Embora já tenham havido experiências esteticamente bem sucedidas como do grupo Potencial Três nos anos 1990. Mas um fato isolado.
Contudo, a geração de James Bantu fez bem feito a lição de casa, em casa. Não por nacionalismo limitador e tosco, mas diferente do Rock pop dos anos 1980, que se construiu de costa para cultura musical urbana brasileira, o Hip Hop tinha uma promessa não cumprida, desde Thaide e DJ Hum, Racionais e Gog, de fazer valer os vários caminhos percorridos pelo Samba, pela Gafieira, pelo Choro, pelo Samba Soul, etc. Mas a Geração Racionais não pode cumprir essa tarefa estética porque estava muito presa a ideologia do gangsta, por exemplo e as referências estéticas muito conservadoras, musicalmente falando.

James Bantu é parte da geração que reformulou a audição de música negra brasileira. Talvez tenham sido positivamente surpreendidos pelo retorno de um Marku Ribas, pelos novos sons de Hildon, Luis Wagner, Lumumba etc. Estes guerreiros musicais negros urbanos puderam ser remixados com Edu Lobo, Chicos e Caetanos sem culpa, sem medo.
O resultado é um som melódico e harmônico, com levadas muito suingadas e letras cheias de percepções filosóficas, histórias negras cotidianas, discursos refinados de identidade e outras sutilezas. São mirongas de preto jovem, mas não preto rafavela, requenguela, banguela e sem nada a dizer. Bantu está num rol de gente afinada, sacada e sagaz, como outros da cultura Hip Hop, que circulam hoje com bastante cartaz. Já tive o prazer de ouvi-lo e vê-lo perfomar no Mocambo Digital e noutras ocasiões. Mas eu estou ansioso para ouvir um Cd seu, com canções singulares, liminares e densas. Tomara que venha longo, antes que mudem a chave da pequena porta da breve visibilidade com bastante cartaz.

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